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quinta-feira, 1 de maio de 2014

Quando começa a traição?



Descobri que a confiança é construída em momentos muito pequenos, que costumo chamar de momentos de “janelas entreabertas”. Porque são nas pequenas e cotidianas interações com nosso companheiro ou companheira, que encontramos uma possibilidade de conexão ou de distanciamento do relacionamento que estamos construindo. 


Quando pensamos em traição logo imaginamos alguém em quem confiamos fazendo algo tão terrível que nos obrigue a pensar seriamente em acabar com o relacionamento. 

Qual é o pior tipo de traição de confiança que você imagina? Ele te trai com sua melhor amiga? Ele mente sobre como tem gasto o dinheiro em comum? Alguém está usando sua vulnerabilidade contra você? 

Todas as traições são terríveis, sem nenhuma duvida, mas existe um tipo especifico de traição que é ainda mais desleal e igualmente corrosivo para a confiança em um relacionamento. E infelizmente é o que mais vemos nos casos de violência doméstica. 

É a traição que acontece antes de todas as outras traições. Estou falando da traição do descompromisso. Do não se importar. De desfazer o vinculo existente. De não desejar dedicar tempo e esforço ao relacionamento. A palavra traição evoca experiências de falsidade, mentira, quebra de confiança, omissão de defesa quando nosso nome está envolvido em intrigas ou fofocas e de não sermos escolhidas como alguém especial entre tantas outras pessoas. 

Esses comportamentos são traiçoeiros, mas não são as únicas formas de traição. 

Se alguém me pedisse para escolher a forma de traição que mais marcou minha vida e que foi decisiva para a corrosão do meu relacionamento por ter corroído o elo de confiança que existia ou que eu imaginava existir, sem duvida alguma eu diria que é a traição do descompromisso.

Quando as pessoas que amamos ou com quem temos uma forte ligação param de se importar conosco, de nos dar atenção e de investir no relacionamento, a confiança começa a se extinguir e a mágoa vai crescendo então a partir dai. 

Porque o descompromisso gera a humilhação e desperta nossos maiores medos. Que são os medos: do abandono, da desvalorização e do desprezo. O que acaba por fazer dessa traição obscura algo muito mais perigoso do que uma mentira ou até mesmo do que um caso fortuito é o fato de não conseguirmos localizar a fonte de nossa dor – não há nenhum acontecimento, nenhuma evidencia, explicita de ruptura. 

É isso acaba por deflagrar em nós o processo da loucura.

Assim como a confiança, a maioria das nossas experiências de traição se acumula lentamente. As grandes e visíveis traições só são frequentes após um período de desinteresse e de corrosão lenta da confiança. 

Bem a confiança é um dos produtos da vulnerabilidade que cresce com o tempo e exige de nós trabalho e comprometimento total. Confiança não é de forma alguma uma postura nobre, é antes de mais tudo um conjunto de pequenas ações cotidianas.

Seu comentário é importante para meu trabalho, deixe-o aqui.
Muito obrigado!
Fátima Jacinto

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