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quarta-feira, 30 de abril de 2014

Como a maioria das pessoas vivi tentando controlar minha vulnerabilidade, até que um dia...



Como a maioria das pessoas que conheço, passei minha vida inteira tentando contornar e vencer a minha vulnerabilidade. Tenho verdadeira aversão a exposições emocionais e incertezas. Desde minha infância comecei a desenvolver e afiar um arsenal de defesa contra essa incomoda emoção. 


Tentei de tudo tenho que admitir, desde de ser a menina perfeitinha, até me tornar a menina inteligente e que gostava de estudar, passei para a ativista indignada, e me transformei na rebelde sem uma boa causa para defender, e fui caminhando até chegar na pobre mulher sofredora, que era humilhada e espancada pelo marido. 

Se olharmos superficialmente para todos esses papeis pode nos parecer que eles são apenas estágios de desenvolvimento previsíveis, mas eles na realidade eram muito mais do que isso para mim. Todas essas etapas eram as minhas diferentes armaduras que impediam que eu me tornasse excessivamente comprometida e vulnerável. 

Cada uma dessas táticas foram construídas sobre a mesma premissa: Manter o mundo lá fora a uma distancia segura e sempre com uma saída estratégica.

Mas apesar de todo o meu medo de me mostrar vulnerável, herdei um coração corajoso e amoroso, eu caráter solidário. 

Minha maior certeza de tudo isso que passei em minha vida, é que estamos aqui para criar vínculos com as pessoas. Fomos concebidos para nos conectar uns com os outros. É esse contato que nos dá propósitos e sentido em nossa vida, e sem ele, vamos está sempre em sofrimento.

Foi isso que sempre acabou por me levar a pesquisar os nossos sentimentos de vergonha, de vulnerabilidade, e a crença que todos nós carregamos de que “não somos bons o bastante, e, portanto não somos dignos de sermos amados e de termos relacionamentos satisfatórios.”

Nos últimos anos lutei bravamente com coisas muito difíceis como a morte de um filho e um câncer colorretal.

Usei esse tempo para me aprofundar ainda mais nessa minha curiosidade nata sobre esses temas. 

Criei uma lista do que eu considerava pessoas plenas, ou seja, as pessoas que eu acredito que saibam lidar com a vergonha, com a vulnerabilidade e se sentirem dignas de uma boa vida, de um bom relacionamento, de serem amadas, e acreditam em seu próprio valor.
Vamos a minha lista:

Uma pessoa plena é:
1-    Liberta-se do que os outros pensam, e cultiva a autenticidade.
2-    Liberta-se  do perfeccionismo impossível  e cultiva a auto compaixão.
3-    Liberta-se da monotonia e da impotência e cultiva um espírito flexível.
4-    Liberta-se do sentimento de escassez e do medo do desconhecido e cultiva a gratidão e a alegria.
5-    Liberta-se da necessidade de está sempre certa, e cultiva a intuição e a fé.
6-    Liberta-se da comparação e cultiva a criatividade.
7-    Liberta-se da exaustão como símbolo de status e da produtividade como fator de autoestima e cultiva o lazer e o descanso.
8-    Liberta-se da ansiedade como estilo de vida e cultiva a tranquilidade.
9-    Liberta-se das duvidas e das suposições e cultiva tarefas relevantes.
10- Liberta-se da indiferença e de estar sempre no controle e cultiva as risadas, a musica a dança.

Foi nessa época que entendi que viver plenamente quer dizer abraçar a vida a partir de um sentimento de amor-próprio. Cultivando a coragem, a compaixão e vínculos suficientes para acordar de manhã e pensar: “Não importa o que eu fizer hoje ou o que eu deixar de fazer, eu tenho o meu valor”. E quando chegar a noite ir para cama dizendo: “Sim eu sou imperfeita, vulnerável, e muitas vezes tenho medo, mas isso não muda a verdade de que também sou corajosa e merecedora de amor e aceitação.” 

Foi diante de um dos mais terríveis lutos que é a perda de um filho e dos piores diagnósticos médicos que existe que descobri essa verdade a meu respeito. 

Seu comentário é importante para meu trabalho, deixe-o aqui.
Muito obrigado!
Fátima Jacinto


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